A firma

Por que se cobrir vira circo e se fechar vira hospício

segunda-feira, julho 31, 2006

Adendo ao Glossário

- colaborador: o mesmo que arigó.

Agradecimentos ao colega Jônatas Gardin.

Glossário

Alguns termos muito populares aqui na firma, mas que me desagradam profundamente, quase me levando a um reencontro com o conteúdo do meu estômago a cada vez que os ouço:
- recursos: talvez seja uma recomendação de best practices, mas me soa como desrespeito reduzir um ser vivo (quase sempre) pensante e (relativamente) independente a um termo que, na sua forma mais genérica, inclui clipes de papel e moedas de cinquenta;
- head counts: uma forma mais chique de se referir aos recursos; esta conotação aponta para assuntos financeiros e contábeis, mas é feia do mesmo jeito;
- coordenador: um chefe que tem função mas não cargo; uma forma de evitar a promoção e conseguir alguém para fazer o trabalho;
- EBITDA: é quase o dinheiro que a empresa ganha, mas com uma irritante interferência de termos ininteligíveis para a grande massa de arigós (1) como tributação, depreciação e amortização;
- CAPEX/OPEX: dinheiro gasto como despesa ou como investimento; se é assim, por que não falar simplesmente em despesa e investimento?

À medida que for me lembrando de mais termos asquerosos como esses, vou enriquecendo o glossário, combinados?

(1) Arigó: melhor ir direto à fonte e perguntar ao Grande Líder lá na Companhia (link ao lado)

sexta-feira, julho 28, 2006

Resultados

E um dos caminhos abertos na semana passada começa a dar frutos.
Recebi um e-mail da TCS solicitando a minha participação em um teste on line.
O tal teste era uma prova de interpretação de textos em inglês, tinha tempo determinado de realização, mas não me trouxe maiores problemas.
Apesar de estar afastado das salas da Cultura há mais de seis anos, ainda consigo me virar bem no idioma de Shakespeare.
Não sei qual será o próximo passo, mas fiquei feliz em saber que ao menos o currículo eles receberam.
Aguardem novidades daqui a pouco.

quinta-feira, julho 27, 2006

Mundo real

O marido da minha cunhada (1) está passando por uma experiência assustadoramente real e comum: a decepção imediata com um novo emprego.

Ele morava em uma cidadezinha minúscula do oeste paulista e trabalhava em uma indústria de nível médio onde, apesar de não ter uma vasta experiência, ocupava um cargo relativamente prestigiado e conseguia um destaque adequado para as suas ambições.
Lá ele era um dos 3 ou 4 "engenheiros da indústria", tinha casa paga e seu ego adorava essa paparicação.

Pois é, mas o mundo é redondo demais para manter todo mundo equilibrado e a tal indústria começou a ter problemas de caixa e anunciou que fecharia as portas "temporariamente".
Com dois filhos para criar e uma esposa que não se cansa de exigir uma casa própria, ele teve que olhar para o mercado e não demorou muito para conseguir uma recolocação.
Foi aí que seus problemas começaram de verdade: ele assumiu uma função para a qual não tinha experiência e ganhou um chefe que adora usar o terror como tática de gestão.

Agora ele começou a dar sinais de querer desistir e voltar para o sossego da habitual massagem de ego, mas pessoalmente acho que ele está cometendo um erro. A antiga empresa dificilmente vai conseguir oferecer a situação anterior e a coisa pode ficar ainda pior para ele e a família.
Por mais FDP que possa parecer a atitude do chefe, ela é real e pode ser encontrada na esmagadora maioria das empresas do país e do mundo.
Ou todo mundo acha que os gestores por aí têm todos o jeito do Rolim ou do Welch?
A maioria é despreparada mesmo e acredita que trabalhar além do expediente é sinônimo de dedicação e produtividade.
Até parece que eles nasceram gestores e nunca "produziram" emocionantes partidas de paciência ou motivadoras visitas ao www.supercalcinhas.com?

Infelizmente para esse meu parente torto, a melhor saída pode acabar sendo a sua submissão por pelos menos alguns meses antes de chutar o balde e encaminhar o chefe para um especialista em implantes dentários.
Meu parecer é que ele foi mal acostumado e padece do "mal do engenheiro" que incute super-poderes ao infelizes saídos das sessões sado-masoquistas das aulas de Eletromagnetismo, Mecânica dos fluidos ou Resistência dos materiais. Falarei sobre esse mal em outra ocasião.
Como dizia um antigo colega aqui da firma, "a vida é dura para alguns".


(1) Nunca descobri se o termo certo é concunhado, co-cunhado ou sei lá o quê, por isso segui o caminho mais longo para esta identificação.

quarta-feira, julho 26, 2006

Equações interessantes

Algumas demonstrações sobre a relação entre a importância relativa de um trabalho e a pressão exercida por quem o demanda:

1 - Projeto mais ou menos importante para a empresa = pressão pequena ou inexistente do usuário no desenvolvedor;

2 - Projeto importante para a empresa = pressão média;

3 - Projeto que impacta o bônus do usuário, independente da sua importância para a empresa = pressão absurda, implacável, bárbara e impiedosa, com direito a ameaças veladas e risco de agressão física.

E depois dizem que o mundo corporativo não é engraçado.

Remuneração

Essa veio de um grande amigo que trabalha no setor de automação.

Por mais absurdo que pareça, ele foi promovido e passou a ganhar menos.
Explicando: como analista, ele recebia o salário, adicionais de viagem (inúmeras para os mais distantes e ermos cantos deste país do mundo) e eventuais folgas por conta do banco de horas (calamitosamente grande graças à caótica política de RH da empresa).

Ao ganhar a função (mas não o cargo) de coordenador (já falo sobre meu asco a esse termo), ele teve um aumento de salário, mas deixou de ganhar os adicionais (mesmo que continue com as responsabilidades anteriores), o que o deixa na confortabilíssima situação de ganhar menos do que os seus comandados, já que os adicionais tendem a superar o aumento recebido.

E o pior é que se trata de uma empresa alemã.
Este mundo está mesmo perdido.

terça-feira, julho 18, 2006

Tentativas

A conversa de hoje com o gerente tratou do resultado de um processo seletivo que estávamos seguindo de perto para verificar até que ponto a regra de meritocracia estava sendo seguida pela empresa.
O nosso medo era que a tal vaga de gerente fosse ocupada pela pessoa que exerce a função mas não possui o cargo e não pela pessoa que fosse considerada mais capacitada depois de um processo oficial e completo.
Para decepção do meu gerente, que ainda acreditava nas palavras da superintendente envolvida, a vaga ficou mesmo com a tal pessoa atual e mesmo que não tenhamos como saber se ela era mesmo a mais capacitada, fica a percepção de que a regra só serve para enganar os crédulos e para ser burlada pelos gestores.

Outra conclusão dessa conversa é que, caso seja possível criar uma vaga que atenda às minhas necessidades, provavelmente teremos que utilizar o mesmo discurso e a mesma "maracutaia". Tudo para garantir a minha promoção.
Triste, real mas triste.

Pelo sim, pelo não e para aumentar o meu poder de negociação, comecei na semana passada um amplo processo de sondagem no mercado. A idéia é acionar o maior número de mecanismos possível para encontrar alternativas para o impasse em que se transformou a minha carreira.
Nessa linha, contatei três empresas cujos nomes chegaram a mim através no newsletter Computerworld (Michael Page, TCS e ATTPS), corrigi meu cadastro na Elancers e revalidei meu registro na Amex.

Os próximos passos seriam recorrer à APINFO e ao Monster.com, sugestões do Professor, que segue negociando um possível caminho junto a uma operadora de telecom.
Apesar de ter um certo receio não-empírico, acabarei experimentando canais mais populares como Catho, Manager e Vagas.com.
São diversos caminhos e formas de recolocação, mas o objetivo é único: buscar em qualquer lugar aquilo que não me é disponibilizado atualmente.
Não seria absurdo pensar que uma reviravolta pode acontecer aqui mesmo, mas não estou disposto a esperar por isso sentado e impassível.
A fila tem que andar, de um jeito ou de outro.

E como eu disse hoje a um colega durante o almoço: a corrida começou, só falta saber quem será o vencedor.

segunda-feira, julho 17, 2006

Clima

Por mais meteorológico que soe o termo, dentro do ambiente corporativo, melhorar o clima significa aumentar o prazer que a jornada de trabalho oferece aos funcionários, sejam eles executivos ou não.
Ao menos é esse o meu entendimento.

Como a firma está cada vez mais preocupada com a imagem interna - vide a pesquisa anual que apura a percepção dos funcionários sobre a vida, o universo e tudo mais - os manda-chuvas da VP resolveram organizar um grupo para avaliar os pontos mais fracos, propor soluções, implantá-las e ganhar cada vez mais legitimidade para fazer parte das listas da Exame e da Época.
O grande problema é que a cultura desta nossa organização nunca contemplou essa tal de qualidade no trabalho e muitos executivos acham que se um funcionário executa alguma atividade diferente das atividades tradicionais e rotineiras, o tempo está sobrando, a produtividade está baixa e, provavelmente, a melhor saída é disponibilizar o recurso para o mercado, uma metáfora auto-irônica para a famosa demissão.
Aliás, chamar uma pessoa de recurso é outra coisa que me incomoda, mas isso é assunto para outro post.

Como estou em uma fase de acreditar que se pode fazer a diferença, mesmo contra as probabilidades, minha candidatura mais ou menos voluntária ao grupo de melhoria de clima da vice-presidência acabou sendo uma coisa natural.
Explicando o "mais ou menos voluntária": eu não sabia da existência do grupo, mas uma das gerentes da Superintendência me perguntou se eu gostaria de participar e ouviu um sim pouco convicto, mas ainda um sim.

Depois de participar da primeira reunião, percebi a pouca familiaridade das pessoas com o tema. A maioria ocupava cargos executivos e parecia pouco familiarizada com temas comuns e populares.
Muitos mencionavam técnicas sofisticadas de fomento à motivação e reconhecimento de pessoas, mas para mim aquilo soava estranho, parecendo que eles haviam nascido gerentes e nunca haviam pisado no "chão de fábrica".
Tudo tinha cara de elitização e benchmarking, enquanto eu tinha a clara idéia de que a saída era a popularização.
Como minha inclusão no grupo foi direcionada ao sub-grupo de eventos, resolvi ignorar os moradores do Olimpo e seguir com meu plano ao estilo do Cérebro.

A primeira cartada foi encher de idéias de popularização a coordenadora do sub-grupo de eventos. O objetivo era mudar radicalmente a cara dos eventos da VP e matar no ninho qualquer idéia à moda antiga.
Nada de palestrantes soníferos e coquetéis com foie gras.
A hora é de churrasco, escola de Samba, um palestrante do mundo esportivo e muita descontração. Talvez role até uma gincana entre as áreas e um karaokê, mas mesmo que não seja possível, todo o esforço será voltado para deixar o evento com cara de integração e não uma forma de satisfazer as necessidades apenas dos executivos.
Vou atuar com vontade para que o evento deixe satisfeitas as 1100 pessoas da VP que não são executivas.
E que os executivos aproveitem o evento exclusivo deles para se divertir, por que no nosso, ninguém tasca.

sexta-feira, julho 14, 2006

Viva la revolución

Parece que minha iniciativa de procurar meu gerente e abrir o jogo quanto à minha insatisfação e intenção de mudar de emprego acabou dando resultado!
Não bastasse a conversa informal com o Sup de partida, hoje o gerente me chamou e disse que ele o Diretor estão mesmo empenhados em arrumar uma vaga para me manter por aqui.

Me senti importante e valorizado, mas não quero nem saber se eles vão ter que vender o corpo para me promover.
Como diria uma colega de trabalho: eles que acessem o www.cadaumcomseusproblemas.com.br.

A minha parte eu já fiz e foi muito bem feita!

Força

E não é que esta vida pode mesmo nos surpreender?
O chefe "sainte" acabou me chamando para uma conversa e me deu uma bela força para que eu continue na empresa e mantenha o bom nível demonstrado neste último ano.
A parte surpreendente dessa conversa é que ela aconteceu quase um ano depois que começamos a trabalhar juntos.
Duas conversas mais abertas em 12 meses não se parece muito com a minha definição de proximidade, mas cada um com seus problemas e seu desejo de fazer amigos.

Segundo ele, o Gerente e o Diretor estão trabalhando em uma alternativa para atender aos meus desejos (ou seriam necessidades) de aumento e promoção.
Ele não participa dessa iniciativa por motivos óbvios: fica complicado conciliar o coaching com o futevôlei!

O grande problema dessa estória toda é que a tal saída mencionada por ele pode muito bem passar pela abertura de uma vaga através da demissão de outro colega.
Não gosto de pensar que terei algum tipo de envolvimento nesse tipo de situação, mas pelo menos a coisa não está nas minhas mãos.
Preferia que a vaga surgisse de outra forma, mas certamente não vou recusar a oportunidade se ela surgir.
Infelzmente pode ser desse jeito, mas acredito que cada um tem que pagar pelas escolhas que faz e esse potencial colega demissionário sabe bem de onde viria a determinação da sua saída.

Se tiver que ser assim, paciência.
Boa sorte aos que saem e mais sorte ainda aos que ficam.

E a saída paralela continua!
Pedala, Professor!

terça-feira, julho 04, 2006

Crescimento

E demorou, mas finalmente aconteceu a esperada avaliação do PCA, o popular plano de carreira, onde os chefes dizem se você correspondeu ou não às expectativas e se ganha ou não aumento.
Mesmo que com um atraso de mais de dois meses, foi bom passar por esse processo e ter mais uma conversa aberta com meu gerente.
Infelizmente o resultado esperado se confirmou: fui avaliado como o melhor funcionário da Superintendência, mas não foi possível aumentar meu salário por que estou no topo da faixa e as regras do sistema não permitem uma extrapolação sem uma promoção de cargo. Como isso depende de vagas, fiquei em um beco sem saída por conta do meu próprio bom desempenho.
Não adiantou muito meu chefe destilar elogios e solidariedade. Acho isso muito importante, mas neste momento eu precisava de algo mais palpável e material.
Tenho muito orgulho do troféu que recebi, mas preciso de dinheiro na minha conta e uma evolução na minha carreira.

Por mais que eu goste de regras, desta vez elas me derrubaram. E não foi só uma queda monetária. Minha motivação também está abaixo da crítica.
E isso acaba afetando também minha vida fora do trabalho, mas isso é outro problema.
Conforme acordado com meu próprio gerente, cada um de nós vai atuar de uma forma para tentar melhorar este quadro: enquanto ele busca formas de criar uma vaga que me permita crescer e ganhar mais, eu aciono todos os meus contatos para conseguir no mercado aquilo que a empresa não pode me dar.
É um processo bem doloroso para uma pessoa que nunca gostou de mudanças, mas é necessário sangrar um pouco.

A coisa está tão boa e confortável que está me fazendo mal.
Não posso continuar assim e se não for aqui, será em outro lugar.
E que a Comissão Técnica do Céu defina minha próxima função.

Directory of Personal Blogs BlogBlogs.Com.Br blog search directory BloGalaxia